Cuidado na hora de abrir a boca – Diário do Nordeste

O mau hálito se dá pela ação de bactérias presentes na boca
THIAGO GASPAR

USO DE APARELHOS ORTODÔNTICOS E PIERCINGS, ALIADOS ÀS ALTERAÇÕES HORMONAIS, FALTA DE HÁBITOS SAUDÁVEIS DE ALIMENTAÇÃO E DE HIGIENE BUCAL, TORNAM OS JOVENS UM GRUPO DE RISCO PARA O MAU HÁLITO

As alterações do hálito, além de incomodar aqueles que convivem com o problema, podem ser um sinalizador de que a saúde bucal não vai bem, o que reflete no organismo como um todo. Apesar de a maior parte dos casos ocorrer em adultos entre os 35 e 45 anos, os jovens também são um grupo de risco para a halitose, uma vez que alterações hormonais e a falta de bons hábitos alimentares e de higiene são fatores importantes para o aparecimento desagradável do mau odor bucal.

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca (ABPO), Dra. Daiane Rocha, cerca de 30% dos brasileiros sofrem com a halitose, que, na sua grande maioria, é decorrente de problemas na cavidade oral. O mau cheiro se forma a partir da ação de bactérias presentes na boca que, ao quebrarem as partículas de proteína, exalam odor próprio do enxofre produzido no processo. “Qualquer hábito que provoque a diminuição da salivação e ao ressecamento bucal pode levar à halitose”, explica.

Hábitos nocivos

A halitose é bastante incômoda, especialmente para os jovens, pois nessa fase falar perto na hora da paquera é fundamental. Porém, é bastante comum o uso de piercings e, ainda, de aparelhos ortodônticos que exigem uma higiene bucal mais intensa, por aumentarem a possibilidade de acúmulo de resíduos alimentares e contribuírem para a formação da placa, que provoca mau hálito. Também, comer depressa e em intervalos longos de tempo, além de alterações hormonais podem contribuir para o mau cheiro bucal.

A Dra. Daiane Rocha aponta que o uso de laxantes, diuréticos e inibidores de apetite, utilizado por muitas jovens para entrar no “padrão de beleza”, acabam por ressecar a mucosa bucal, possibilitando o aparecimento do mau hálito. Porém, nesses casos, o problema é momentâneo.

Fatores de risco

Outra causa bastante comum do mau hálito é o consumo excessivo de álcool e, principalmente, do tabaco. Além dos dentes amarelados, gengivite e periodontite, com possível perda de dentes, o fumo provoca ressecamento bucal, fatores responsáveis diretos pela halitose. Além disso, o escurecimento da língua, estomatite por nicotina e leucoplasia são problemas muito frequentes em fumantes.

De acordo com a cardiologista e diretora do Programa Ambulatorial de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração, durante Congresso Internacional de Odontologia (Ciops), em São Paulo, Dra. Jaqueline Scholz Issa, é muito importante que os dentistas deem mais atenção aos pacientes fumantes. “Geralmente, os primeiros profissionais a reconhecerem os efeitos nocivos do tabaco são os odontólogos”, afirma.

A halitose também pode aparecer em pacientes diabéticos devido ao surgimento de infecções bucais e, principalmente, por conta da queima descompensada de gordura. Geralmente, os pacientes exalam um cheiro adocicado proveniente do ácido cetônico. O dentista Alexandre Fraige, também presente no Ciops, apontou a diminuição do fluxo salivar na doença como outra possível causa do mau hálito.

Hálito saudável

Para ficar longe da halitose, a Dra. Daiane Rocha fala que é necessário mudar de hábitos, evitando bebidas alcoólicas, fumo, excesso de alimentos proteicos e o uso de medicamentos que provoquem ressecamento da boca. Ela diz que manter a higiene bucal e utilizar o limpador de língua geralmente resolve o problema. Porém, quando as causas são patológicas (na maioria dos casos de hiposalivação), deve haver tratamento específico.

Saúde bucal

30 Por cento é a parcela da população brasileira que sofre com a halitose. Na grande maioria dos casos, as razões da alteração do hálito são decorrentes de problemas na cavidade bucal

Fique por Dentro – Autoexame

Cerca de 13.160 novos casos de câncer de boca são descobertos no Brasil a cada dia. A maioria ocorre em fumantes e consumidores de bebidas alcoólicas, maiores de 40 anos. No entanto, o chefe do Serviço de Câncer de Boca do Instituto do Câncer, Dr. Arnaldo, de São Paulo, Sílvio Boraks, diz que ir regularmente ao dentista e realizar o autoexame pelo menos uma vez por mês é essencial na detecção precoce da doença.

O exame é rápido, simples e deve ser feito em frente a um espelho em local iluminado a fim de procurar sinais visuais do câncer bucal – feridas e aftas que não cicatrizam ou a formação de uma placa branca de superfície áspera. Com a boca aberta, o paciente deve examinar os lábios por dentro e por fora. Em seguida, é preciso olhar também as bochechas e gengivas de cada lado. Inclinando a cabeça para trás, deve-se examinar as laterais e a parte abaixo da língua. Como esse tipo de câncer não dói, a detecção visual é essencial, pois, quanto mais rápido for diagnosticado, maiores as chances de cura.

MAIS INFORMAÇÕES:
Centro de Tratamento do Hálito Dra. Daiane Rocha
Av. Desembargador Moreira, 2660 – Salas 116 e 117 – Aldeota

fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=735313

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